Assim falava a canção que na América ouvi
Entre panelas, gordura e serviço pesado de faxina,
entre cimento armado e concreto,
batuca o samba-enredo da escola.
Percussão.
Entre compassos e réguas empunhados,
traçando ângulos e conjugando verbos,
dançam os estudantes no ritmo da juventude.
Flautas-pássaro.
Entre os dedos trocados das mãos entrelaçadas,
confundindo os sentidos e unindo as forças,
caminham os namorados no mesmo sentido.
Violinos.
Outros se juntam com seus pianos,
suas trompas, oboés, clarinetas, seus violoncelos,
violões, surdos, baixos, mudos e altos.
E com todo esse aparato sinfônico,
cantam contra o colonialismo,
cantam contra o Imperador,
cantam contra Getúlio.
Agora formam uma banda e saem às ruas,
para que a moça feia e o avarento ouçam coisas de amor
e saibam que, apesar de tudo, "amanha há de ser um outro dia".
Levantam-se os povos, gritam livres os mendigos,
batem panelas em vários tons de amarelo -
amarelos nada medrosos - enunciando que inexoravelmente vai passar,
que querem a utopia e a felicidade dos olhos de um ancião,
muita alegria, muita gente feliz e que a justiça reine no continente, no conteúdo.
Consciente de que ficar de frente para o mar
e de costas pro Brasil não vai fazer desse lugar um bom país
levantam suas bandeiras e desmascaram seus verdes sentimento,
coração, juventude e fé.
Que mundo construirão?
Ana Lúcia Temporini Gonçalves (16 ANOS)
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